sábado, 30 de junho de 2007

Como não se chegar a um destino

Eu me lembro até hoje o dia em que cheguei pela primeira vez em que viajei para o exterior. Foi a viagem que havia sonhado toda minha vida. E lá estava eu, indo para o aéroporto de Los Angeles, o LAX. É bem difícil expressar a alegria em realizar um sonho...
Mas neste dia infelizmente não havia nenhum amigo pra ver a minha cara de felicidade...
No voo aconteceu tanta coisa, que merece um livro... mas pra começar... eu quero contar sobre minha chegada.

Logo de início, após passar por toda segurança, eu queria ligar pra minha casa e avisar que tinha chegado. Achei o primeiro telefone público e liguei para o "tollfree" (o bom e velho 0800) da Embratel, para ligar na minha casa.

Minha mãe já estava desesperada por eu não ter ligado... explico: - Meu vôo saiu de São Paulo as 22:00 horas e avisei minha mãe que eu chegaria por volta das 11:00 (horário brasileiro) da manhã em Los Angeles. Mas comentei que seria 7:00 da manhã pra mim devido ao fuso-horário. Minha mãe só guardou a parte das 07:00 da manhã. Ela esperava que eu ligasse as 07:00... mais tardar 08:00 horas da manhã... e eram 11:30 da manhã,,,, imaginem...

Bem... imaginem minha alegria... minha felicidade... "Mãe!!! Eu tô nos Estados Unidos!!!"

Agora que já tinha avisado minha família que eu estava bem, precisava ligar para a família onde eu ia ficar... Eu tinha o endereço, mas precisava de dicas pra avisar ao taxista como chegar. Afinal, nesta época não tinha Google Maps pra me ajudar...
Nos EUA são utilizadas moedas ao invés de fichas, e como eu não tinha moedas, procurei um guichê pra trocar o dinheiro... No guichê eu não entendi muito bem o que disseram, mas me apontaram para uma máquina que eu não conhecia. Fui até a tal máquina e percebi que era para trocar notas de dinheiro por moedas. Coloquei uma nota de 10 dólares, e como a máquina troca por moedas de 25 centavos, tente imaginar quantas moedas ela me devolveu. Parecia que tinha ganhado dinheiro no cassino... bem, eu nunca tinha ido a um cassino, mas era isso que parecia.

Enchi os bolsos de moedas e fui até o telefone publico mais uma vez. Mas desta vez eu não ia fazer um "tollfree", e sim uma ligação local. Mas ninguem havia me falado sobre como fazer ligações locais nos EUA. Aliás, não conversei com ninguém que tinha ido aos EUA até aquele dia (pelo menos não o suficiente para obter detalhes como este). Bem... lá você sempre tem que começar com "1" para ligar pagando e "0" para "collect call" (que depois é que entendi que era "à cobrar"). E é preciso digitar o código de área (algo como o "ddd") sempre, mesmo estando na própria cidade (na verdade pode-se discar direto, mas somente se o telefone público pertencer ao mesmo "ddd" da ligação destino - e lá há "ddd"s para bairros).

Como eu descobri tudo isso? Eu levei pelo menos 40 minutos tentando ligar. Até que alguém que estava por perto viu que eu estava com cara de desespero e me ajudou. Em que lingua? Ingles, é claro. Mas não eu falando inglês, e sim o da moça... porque eu falava inglês mal demais.

Havia se passado 40 minutos e finalmente eu consegui ligar. Pedi dicas pra familia de como eu faria para chegar lá. A Annette, minha "host-mother", me falou no melhor "americanês": "Pegue a I-405 e peça ao taxista para pegar a saida da 'Sipólvora'" (é... eu ouvi desse jeito mesmo... 'Sipólvora').

Pedi pra ela repetir umas 20 vezes... quando percebi que não ia entender melhor do que 'Sipólvora', falei "Ok. Eu devo chegar em alguns minutos". Não tinha mesmo outro jeito. Era isso ou continuar ouvindo 'Sipólvora' mais outras 200 vezes. Anotei e fui à porta pegar um taxi.

Enquanto eu entrava no taxi todo alegre e feliz, ficava repedindo na minha cabeça: "Eu estou nos Estados Unidos, eu estou nos EUA".

Bom... minha alegria foi refreada por um pequeno probleminha: o taxista era asiático (talvez chinês) e falava inglês com um sotaque quase tão ruim quanto o meu. Eu não entendia naaada do que ele falava. Mas eu tentei manter a calma. Pedi para ele pegar a I-405 (que eu nem sabia onde era) e sair na 'Sipólvora'. Ele olhou pra mim e disse: "O que?". Bem... depois de repetir 'Sipólvora' umas 5 vezes, ouvindo uns 5 "O que?"... eu passei para ele o papelzinho com minhas anotações. Lendo ele entendeu o destino: SEPULVEDA. Tudo bem... lendo assim talvez não paressa tão diferente. Mas peça para um americano pronunciar SEPULVEDA pra você...

Bom... agora sim. Agora eu estava a caminho da minha "homestay" para poder descançar do vôo. A corrida de taxi foi muito legal, porque eu não tirava o olho das ruas, dos carros, das pessoas. Como foi gostoso estar ali olhando tudo aquilo que eu sempre sonhei. Muito bom realizar um sonho. Cada marca de carro que eu não conhecia, parecia coisa de filme. Eu já tinha sonhado tantas vezes com essa viagem que ficava só esperando o momento de acordar frustrado.... mas não... era de verdade... eu estava ali.

Chegamos à casa onde eu ia ficar. Agora era só pagar ao taxista e ir pra casa.
Eu: "quanto foi a corrida" - eu já tinha visto que no taxímetro marcava 50,30 dólares
Ele: olhou com cara de quem pensasse "que pergunta mais imbessíl" e disse "pode pagar 50,00 dólares"
Eu: olhei nos bolsos mais ou menos um minuto, caçando dinheiro e disse: "eu tenho 48,00... você faz a corrida por 48,00 dólares?"

Um momentinho pra entender o que ocorria: em bares, restaurantes, recepções de hotel, taxis, etc, nos EUA é costume pagar pelo menos 10% de gorjeta. Ao contrário daqui, não dar gorjeta é como dizer à pessoa de forma muito desrespeitosa que você não gostou do serviço prestrado. Num primeiro momento eu já fiz o cara dizer que a corrida valia menos do que o marcador mostrava... por isso a cara feia... depois ainda fiz ele aceitar MENOS do que a corrida valia...

O taxista deve ter xingado até a minha 5a geração.

Bom... cheguei... EUA... minha homestay... estou aqui... Mas não pense que isto é tudo... isto foi só a minha primeira 1:30 horas nos EUA... e eua ficar alí 20 dias... tentem imaginar tudo que eu aprontei... rsrsrs
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Um comentário:

Anônimo disse...

Nada melhor do que expressar sua alegria ao proximo...compartilhar fatos e discultir sobre assuntos interessantes.
Comentários de viajens inesquecivéis que é pra carregar na memória pelo resto da vida.
Possa ser que um dia vc perca tudo...mas suas lembranças continuam fruto de um bom aproveitamento de um investimento fantástico.

Foi FODA!!!!